quinta-feira, 30 de abril de 2009
Imagem máquina
Imagine um fio adentrando o centro de sua circunferência craniana na direção do solo. Então ele se reparte na altura dos membros superiores, e também segue na direção do ventre, até se partir novamente para tocar através do túnel de cada perna a extremidade inferior. Aí, exatamente no fim do percurso, a integridade do fio se expande em grampos afiados como uma espinha metálica. De súbito, num corte bruto, o fio inteiro é sugado pela mão de Deus. Eis o teor da necessidade e do chamado absoluto para a virtude humana na terra.
sábado, 18 de abril de 2009
À deriva
O tempo da experiência mais nua é o tempo da contemplação, da paisagem, da situação no tempo, da admiração, somente a plasticidade da arte pode realizá-lo mais perfeitamente, através de qualquer alegoria.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Infortúnio
À tarde, fitava a praça e a multidão admirado com tamanho desperdício daquelas vidas. Dei-lhes de presente um promissor "em nome de quê?". Logo, de volta pra casa, apreciava as colunas e construções dos homens quando quase tropecei numa daquelas formiguinhas, ao que ela reagiu com uma ofensa gratuita. Ignorava a criaturinha estúpida que há pouco eu os havia elogiado com tamanho desperdício.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Já
Anda pelos entremeios e diverte-se nas reviravoltas. Esgarça suas dobras já profundas e enferrujadas. Vai livre e deita sobre as coisas, não sofre de ausências porque implodiu seus continentes, é talvez um povo selvagem agora em festa, um tributo qualquer ao desprendimento egocida. Voa incauta, lisa e luminosa, ave liberta; impressiona a quem te enxerga e incendeia tuas cinzas. Queira, inveterada vertente, tua foz bendita e tuas cancelas desalmadas, eternamente. Mente a ti mesma, fremente alegria. Pureza, ria!
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