terça-feira, 11 de julho de 2017

Restolho



A neutralidade não tem juízo.
Reduzir a zero é proibido!
As camadas e camadas, mais camadas
de ideologismo.
Você já nasce imerso, afogado
na linguagem,
Falante-falado.
Teu segundo nome é Édipo.
Teu destino, o cartão de crédito.


O rei macaco, peludo.
O babaca sisudo, emula até
a Crítica da Razão Puta

Vive ceifado e não sabe:
Ser feliz pelado.



quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Eu sou um ditado impopular



Eu sou a mosca sem cavalo, sem bandido.
Sou o que rouba e não faz.
O que não mata e nem fortalece
Eu sou quem espera e nunca alcança.

Eu sou aquele que prefere dois pássaros voando.

Eu sou o cão que preza pelas ovelhas e
ainda assim não o querem por perto.
O meu mundo não dá voltas.
Depois da tempestade vem outra tempestade.

Em terra de cegos eu tenho os dois olhos
e o que faço é chorar.
Não importa quantas vezes eu aprenda a andar
de bicicleta. Eu sempre esqueço.
Um grande amor não tem cura. Nem tudo passa.


Eu sou o último que ainda será o último lugar.



domingo, 20 de novembro de 2016

Ainda bem que as letras são finitas



A
manhã eu acabo
Bem sabe o bandido
Casa comigo?
Domingo eu deslizo
E quem sabe espero
Fomos bem felizes
Gostamos de gemer e de gostar
Hoje pesam as horas
Inteiras e incertas
Jogam e jazem
Luzes e lágrimas
Meu amor maior,
Não diga não nem menos e muito menos nunca mais
Ontem ousamos demais
Pena não ficar pendurado nos teus pelos pra sempre
Quase sempre queremos
Rir e depois não ruir
Sempre o mesmo sabor de saudade
Tantos tropeços
Um único acerto
Valeu ter visto você despindo a blusa
Xadrez e aquela chuva no teto de
Zinco

(Ainda bem que as letras são finitas
Porque os domingos nunca terminam).






quinta-feira, 17 de novembro de 2016

XVII




Hoje é o dia do último capítulo,
Da última cena
De um filme que já terminou
Hoje é o dia do último flash,
Da última estrela
De uma noite que já se apagou
Hoje é o dia da última lembrança,
Da última espera
De um inverno que já hibernou
Hoje é o dia do último sonho,
Da última presença
De um quarto que desmoronou
Hoje é o dia do último cortejo,
Da última centelha
De um idiota que já tombou

Hoje é o dia do último dia
Da última vez
De todas as vezes
De uma vez por todas
De todos os dias e meses
Do futuro que já passou.