segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Onde os dinossauros brincam.
(Eu gostaria de apodrecer. Pra não ver. Poderia. Mas não aceito. Não sei o que é. Escolhi o mais difícil. Fazer-me moer, até alimentar outra coisa, que em pedaços, mesmo pequeninos, sejam um pouco de força, ofertem força, a outra coisa, vivamente. Tem um velho, amigo meu, que sempre diz, quanto de verdade você suporta? Vai saber. Eu não sei. Mas topo ver. Paga-se caro, porém, é uma moeda limpa. A superfície inventou-se a capa de um tambor. Daí ressoar facilmente. Grave. O salto ignora as pernas. É uma aposta. É perigo. Daí gaguejar, como agora. Daí calar. Um dia eu volto.)
o cão
içado pelo cordame dos cabelos,
lembro assim, pegando fogo
farpado num arame de cal
cozido de beira em beira, jogado
no suor daquela estrada, onde se morre de frio
sequer o arrimo das horas,
sem tempo, com raiva
o buliço agredia, o descanso negava
aquele destino toava cego
era só ouvir, a manada,
o berço de fogo, os tiros
cansaram-se os atiradores de silêncio
não há morte que perdure,
tantas facas, tantos mísseis -
o ponto do equilibrista - onde se sabe cair
os arrebaldes mansos naquele estupor
tudo pronto, depois jogar-se
a coragem é tardia, no salto não se tem esperança
ainda segue escavando-se dentro de si
até achar o fim, e andar
lembro assim, pegando fogo
farpado num arame de cal
cozido de beira em beira, jogado
no suor daquela estrada, onde se morre de frio
sequer o arrimo das horas,
sem tempo, com raiva
o buliço agredia, o descanso negava
aquele destino toava cego
era só ouvir, a manada,
o berço de fogo, os tiros
cansaram-se os atiradores de silêncio
não há morte que perdure,
tantas facas, tantos mísseis -
o ponto do equilibrista - onde se sabe cair
os arrebaldes mansos naquele estupor
tudo pronto, depois jogar-se
a coragem é tardia, no salto não se tem esperança
ainda segue escavando-se dentro de si
até achar o fim, e andar
sábado, 2 de outubro de 2010
tudo sim
de sonhos, te congelei,
tolo não é?
foram tão daninhos aqueles passos
embora de fazê-los outra vez, sempre
não lembra?
contente, contente
como se o ar respirasse,
não, ele desfaz-se, é melhor
não sabemos mais esperar, quando?
quando não for mais a hora
de chegar, só de cansar, cansar, ufa!
cansado
tem um urso subindo, vai se atirar
atirou-se, e dá risada
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
nada não
ali na beirada, onde os pés sacodem
sabe que é perigo duvidar?
ou desligar, que se apaga sem ver
mas abrace, ainda assim
convexo, tudo com mais gosto
mas fale, ainda assim
o caminho correto é só um risco
bem azul, e os brincos são de papel
belo tropeço, enxergar a luz
logo tão logo cegos até se encontrem
despertos, compilados naquele esquadro
logo tão alvos, naquele céu
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