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Paixão só é alegre quando bonita
Se é triste vira nó,
embaraça as vista.
Alegria é bonita quando Sol à pique,
desde que seja menino;
quando maduro queima a vida,
o tédio sua e o corpo enguiça.
Alegria é bonita quando não pensa.
Quando alguém tropeça.
O Sol é bonito quando atravessa.
Quando a rua passa debaixo da moça.
Tudo é bonito quando começa;
menos a lua cheia que nasce e morre
[completa.
Então a noite é um Sol bonito apagado,
e o olho do gato um regalo...
O que não pensa é um começo.
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sábado, 23 de junho de 2012
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Sumô
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Hei
de andar porque tudo move
E
até minhas pernas brincam aos dias.
Só
tem em mim uma pedra, que se exagera.
Quer
pensar. E como pesa.
É
uma pedra de olhar, muda como a velhice
Mas
não muda, nem pesar lhe cansa
Nem
dança vem mudar. Uma pedra viva,
Que
escorre no quando mais devagar, que se esconde
Num
meu canto e nome vem me dar.
Não
dá de rir essa esquisitice,
Ela
sabe é fazer chorar. A pedra deita no sofá e
diz
que de lá não sai. Que vire musgo as superfícies,
que
vire muro o olhar. Só ela não se revira.
Não
vê que é maluquice pedra d’água pesar.
Mas
nada adianta.
Que
de mais não quer saber. Que o vazio da casa
Deixe
o pátio estar. Que o bem-te-vi pare.
Que
o salgueiro não chore. Que a laranjeira não brote.
Em
verdade, que nada cheire.
Por que em pedra tudo que é mole dói..
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quarta-feira, 25 de abril de 2012
Trovinha desencantada
Não encontrei os termos do interminável,
nem achei que os fosse encontrar,
nem de saber o que procuro
nem querer nem ter nem procurar
Mais noturno que sincero,
felpa que se machuca
muro que não se fresta,
menos festa e sem futuro
Mais burro e cada vez mais besta
Deixei torto o que me tortura,
e reto o que me derrete,
e o fogo que me reputa
medo que não se endireita
Deixei palavra sobre palavra,
cada lembrança embalsamada
para na hora de não sentir nada
sentir dor da dor lembrada
nem achei que os fosse encontrar,
nem de saber o que procuro
nem querer nem ter nem procurar
Mais noturno que sincero,
felpa que se machuca
muro que não se fresta,
menos festa e sem futuro
Mais burro e cada vez mais besta
Deixei torto o que me tortura,
e reto o que me derrete,
e o fogo que me reputa
medo que não se endireita
Deixei palavra sobre palavra,
cada lembrança embalsamada
para na hora de não sentir nada
sentir dor da dor lembrada
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Atenção!
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Uma ponte suspensa de não estar
de não querer estar
de não querer
Se entre um nó ou um vazio no estômago
se entre um nó na garganta está
se entre um nó apertado
se é um nó, uma ponte,
se é uma lágrima suspensa, se é querer
se está
Um estômago apertado
um quarto de Onetti fechado
um nó no vazio do estômago
um Onetti engasgado na garganta
um nó fechado onde está
A ponte suspensa na garganta
um mantra vindo da floresta
onde está suspenso um quarto fechado
um nó de Onetti no estômago
onde está o lado ao lado fechado do nó
De onde vem a sombra vem o quarto
de onde o querer enxurrado vem da garganta
se está onde o nó não está
vem a chave, não o nó, não a luz no quarto
que a luz no quarto de Onetti é como um cancro na bexiga da manhã
Nem luz nem nada nem água
só um nó no sangue da garganta
só o pó do sangue
porque nem luz nem lágrima nem nada
só um quarto suspenso de sangue, só um nó na luz
nem lágrima nem água
De onde vem onde está nem nada
vem água verter o enxurro deste tacho
vem verter o enxurro deste tacho ao lado
deste quarto estômago estouro garganta
mantra nó sangue pó e potro aleijado
De onde vem a chuva, o mantra
a chave do nó de não estar só fechado
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Uma ponte suspensa de não estar
de não querer estar
de não querer
Se entre um nó ou um vazio no estômago
se entre um nó na garganta está
se entre um nó apertado
se é um nó, uma ponte,
se é uma lágrima suspensa, se é querer
se está
Um estômago apertado
um quarto de Onetti fechado
um nó no vazio do estômago
um Onetti engasgado na garganta
um nó fechado onde está
A ponte suspensa na garganta
um mantra vindo da floresta
onde está suspenso um quarto fechado
um nó de Onetti no estômago
onde está o lado ao lado fechado do nó
De onde vem a sombra vem o quarto
de onde o querer enxurrado vem da garganta
se está onde o nó não está
vem a chave, não o nó, não a luz no quarto
que a luz no quarto de Onetti é como um cancro na bexiga da manhã
Nem luz nem nada nem água
só um nó no sangue da garganta
só o pó do sangue
porque nem luz nem lágrima nem nada
só um quarto suspenso de sangue, só um nó na luz
nem lágrima nem água
De onde vem onde está nem nada
vem água verter o enxurro deste tacho
vem verter o enxurro deste tacho ao lado
deste quarto estômago estouro garganta
mantra nó sangue pó e potro aleijado
De onde vem a chuva, o mantra
a chave do nó de não estar só fechado
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