sábado, 19 de setembro de 2009

Loki (a letra para tua voz)

Se a loucura não esperar por mim
Quem será?
Se a loucura não estiver ali
Eu sei lá...
Se a tristeza não me colorir
Vou chorar
Se o vendaval não destruir
O que restar
Da minha vida o sol e a cor
Vai ficar...
O jeito, o sal do mar, silêncio...
Ah...

Para Talita

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Trenzinho Caipira



Saudade é uma mistura do domingo com o barro, com a birra, com a angústia de um silêncio eterno por vir: - pai, joga a bola pra mim! Nada suporta o peso quando os joelhos dobram pra arrastar a morte pelo quarto afora; nada fecha a porta quando o estampido explode e sangra o quarto de dormir que acorda, a cama feita, o dia desfeito, o lenço negro que cobre o que não mais se esconde. Agora chora pra estancar o grito, reza pra ensurdecer o alarido dos demônios em volta: - não deixa o menino ver! Não haveria braços estendidos que pudessem impedir a foice, dissipando o atropelo dos coices que a vida dá; não haveria voz pra esvaziar aquele tambor que rufava de dor pela última vez; não haveria abraço pra calar aquele cansaço: - vai ser melhor assim, mãe! O teto rachou com aquele arrepio de Deus, a mãe segurava a cria com uma das mãos, enquanto na outra batia o coração em desespero, esfolado pelo medo que dá ao ver o pior cair de frente tal como espelho, como disparo que empedra os olhos vermelhos, como um relho que sela o devaneio raro do sossego... Todos aprendem a cruzar as pernas do tempo: - vem meu filho, agora papai vai descansar em paz!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Canção popular

Teus podres e panos,
teus olhos muçulmanos me fazem virar
teus dotes de rapina,
gotas de morfina me fazem Bagdá

Tuas serpentes e dunas,
Teus becos e bombas e ruas...
São ecos rebeldes do Mar

Teu grito insolente, tua casta indecente
Teus braços de Hera, teus traços...
Sou bicho, sou quente, sou gente, sou lixo
Sou tua Quimera, sou teus estilhaços  

Tua sede assassina,
Tua doce ruina - teus mortos...
São todos destroços depois de amar

Anticristo

Eu amo aos tarros, fazer o quê?
Vamos brincar de Roma: - Eu sou Nero, e você?