quinta-feira, 8 de outubro de 2009

a sombra das sobras

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não quero sangrar-te alegre...
nem o negro plangear dos meus olhos
deseja o reflexo da tua pupila...


minúsculas são as teias de sossego
que sustentam o silente degelo dos dias
o orvalho, ah, da tua tez ausente, é sina

o tempo é náufrago...
a correnteza tépida das veias
a vogar sem rumo no instante

o tempo é noturno...
pequeno silvo recluso no peito:
esperança é dança da espera
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009


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por que ela não cai?
se é róseo e turvo o horizonte
a quem estende os pequenos braços?
se o vento leva quem restava
por que ela sorri?
se o outro lado do mundo ela não vê
será que ela pede para voar junto...
descansar seus bracinhos num último grito
ou... vê que a força que leva embora
sopra também na sua direção

é sonho o que o vento traz de volta...




* tempestade - ana camelo
fonte: http://anacamelo-naif.blogspot.com/

terça-feira, 6 de outubro de 2009

étrange... (première leçon)

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teus rebuscados anos de vida me fazem inspirar um ar puro de junventude
teu vernáculo me contenta com luz inescrutável
o que tu vistes e amaldiçoastes, bendisseste e repugnaste?
tuas rugas são vindimas flertando minha garganta,
a sabedoria nobre de uma vida infame...
quem sou eu para te elogiar sem a sensualidade de um pagão,
comunista inveterado a invetarar a desrazão
tua pele acarvalhada desdobra uma esperança pueril...
fizeste estrangeira a província de tuas passadas
e toda a minha breguice não contentará tua distância
minhas infâmias girarão como reús inocentados
alegres, vibrantes entusiastas, talvez doentes
tu tens o tom da desgraça, da infância ilustrada e embebida de gáudio
deixa o plágio da ternura para mim, teu desgraçado e seguidor
teu contente cantador de perjúrios e sarcasmos
quem é capaz de conter o medíocre que nos rege?
nada... mas risonho é o deus que te espera,
como a floresta dispensa exageros ao vento,
cospe o sumo divino do gasto,
deita sobre a Terra, verde, sufocando o concreto banal... efêmero ruído dos pequenos
faria um elenco interminável de sons a dizer-te sim!
mas não aguento a surdez das palavras
calo, sem dizer adeus, gritando em mínimos vocábulos de gratidão...
segue... segue teu sotaque de outrém, desconhecido como o múrmurio de além...
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(à mon maître...)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009





















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difícil não desvelar a luta que me torna ser
quando me assalta a tristeza,
e a sua força se dobra frente a alegria do outro
quando a luz que vêm de fora,
refresca o mofo que me namora
difícil suportar a fragilidade,
como uma peça de mármore despedaçada que puseram de pé...
por vezes, se depositarem a mão calada sobre o meu ombro,
basta para chorar...
noutras, como talhadeira, a alegria que não é minha, tornando-se... encontrará a nascente de minhas rochas
e torno a embaçar as vistas na mesma moeda, em ouro...
como as palmeiras de madagascar, ilhadas, resta morrer
para deixar a vida? não... é a dádiva das flores
para agradecer o vento, o mar, a chance...
tudo o que não é... mas virá
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