terça-feira, 11 de março de 2014

Deserdado, ou quem sabe?



Tenho as mesmas chances de

Uma barata. É o que me dá nas vetustas telhas,

as cascas já tanto grossas e as velocidades

cada vez mais lentas



E ainda tenho que limpar o vosso mijo de sábado,

Aquele pelo qual pago de verdade.

Também devo juntar os cacos da vossa gargalhada.

Como doem os cacos da vossa gargalhada!

Obturar o mal-humor, as horas e mais horas

E mais horas



Vem-me a lembrança de um fogão à lenha

Na casa de minha avó materna.

Eu fazia de sua alça o guidão de minha locomotiva

Como meus olhos não turvariam agora

Se vida corria tão grata, se havia o cheiro de doce de

Abóbora; se meus trilhos tinham toda a graça e

E nos meus dias eram os sonhos que deixavam rastros?



Hoje me escondo debaixo desse tanque de guerra,

Seiscentas Kiev me rasgam. Por dentro me correm

Areias, é o movimento que me ignora.

Tornei-me uma daquelas serpentes no deserto,

Engatilhadas por debaixo da derme.



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sinto muito:




Sempre que pensei em dar-me um tiro

Terminei em versos



Porque amo tanto o gosto da vida

Minha própria fraqueza obstrui-se



Nunca permiti que o lirismo

Usurpasse um deus



Não culpo quem vestiu a

Brutalidade com a carne nua



O sol deposto sobre o trigal é

Van Gogh sendo-nos triturado



O mar é tudo que deus

Não permitiu ao homem sofrer



Morrer é uma sorte,

Fui condenado a felicidade da vida



E um saco de lixo preto, surpreenda-se:

É mais útil que um poeta




segunda-feira, 8 de julho de 2013

terça-feira, 21 de maio de 2013

Outro Cummings Ar



É o amor que move
e remove a vida
é só o amor que mo(
ve)
rre

(movo-me para encontrar
a senha arqueológica e pinçar
a camada exata do teu perfume
sobre mim, movo-me cada vez mais.
fundo para tua luz)

É o amor que morre
e a vida são meus passos
na tua direção
                               É só
a vida o que há-de
mover

(amo-te para dizer como
quem volta a andar:
tocar a tua mão, encontr
a
- brigo -
r)

Quem morre é amor
Só o amor que
-ima -
vive

(vivo a chegar no teu colo
eliminando a lista ordinária
das coisas pra depois:
em cada um dos teus olhos
abro os meus, agora,
numa floresta de Avatares)

Movo-me novo
sobrevoando a vida
de repente so-
rindoriente
em teu jardim japonês!