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chega, do amor não trato mais
agora sou de prego e parafusos -
telhas que não chamam mais goteiras
não tiro mais o sono alheio, é feio, me disseram
a chuva mente que o teto quer chorar
deixa, de sofrer mais ninguém quer saber
agora importa o plátano caído e pisado
o latido acuado do cão perdido
o samba ressentido do velho coitado
será que começar por um lírio bêbado dará um bom poema?
de todos nós o pó interessa ao futuro, que absurdo
o conto resumido do eterno tilintar no frio, não, é febril, não é?
ah, quase me perdi por nessas linhas erradas
a canção já vinha tinta se assanhando sobre o pobre papel
logo eu rio, logo logo depois o mar virá sertão
e da carne vai restar arame e arado e solidão
do teu olho que não brilha, brinca de bilhar, é, comigo
agora só resta aresta, logo vai embora, eu sei, querendo ficar
é sábio (se) enganar, olhar de lado, deixar a roda rodar
nem é tão triste assim deixar pra lá...
nem é tão frio aqui no sul, nem é tão azul o céu
é mais bobagem perder a piada que o amor
é mais amor rir, vai ser rio pra ver o mar, vai lá amar
agora sou de prego e parafusos, peraí
deixa eu apertar o coração, não, deixa pra lá
perdi a chave, fiquei na fenda, fecha os olhos, vou passar
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segunda-feira, 31 de maio de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
atende por todos os nomes
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não me farto do amor, nem me furto desse roubo em nós
essa coisa, esse ouro, esse papel o mais vagabundo
colado na sola dos nossos sapatos
perseguindo até o fim da estrada, como se fosse reles
nosso dia, nossa an-dança, nossa pequena folha rastejante
estamos indo pra onde, parece inquirir o vento
e venta calma, a derradeira brisa no meu rosto exausto
que ao te ver turva o próprio leito e derrama
sobre as mãos nervosas, não, sobre o corpo em surto
o desejo de ser de todas as coisas e teu
cultivamos sem saber do desespero que espera
esse amor do ventre às pontas dos dedos
na fortaleza de uma bola de sabão
não é belo cortejar o sopro que nos estoura?
volta a brisa amena pra secar nossa lágrima escura
e coragem pra nos despedirmos com carinho
faz-se as pazes com a felicidade e o adeus
e a vida inteira se condensa no segredo de estender as mãos
não me farto do amor, nem me furto desse roubo em nós
essa coisa, esse ouro, esse papel o mais vagabundo
colado na sola dos nossos sapatos
perseguindo até o fim da estrada, como se fosse reles
nosso dia, nossa an-dança, nossa pequena folha rastejante
estamos indo pra onde, parece inquirir o vento
e venta calma, a derradeira brisa no meu rosto exausto
que ao te ver turva o próprio leito e derrama
sobre as mãos nervosas, não, sobre o corpo em surto
o desejo de ser de todas as coisas e teu
cultivamos sem saber do desespero que espera
esse amor do ventre às pontas dos dedos
na fortaleza de uma bola de sabão
não é belo cortejar o sopro que nos estoura?
volta a brisa amena pra secar nossa lágrima escura
e coragem pra nos despedirmos com carinho
faz-se as pazes com a felicidade e o adeus
e a vida inteira se condensa no segredo de estender as mãos
quinta-feira, 20 de maio de 2010
mirei no chafariz, acertei o carrossel: quase paralaxe, não fosse o coração
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se do teu olho, o brilho
fosse uma cama elástica
eu saltaria de costas
sabendo dos sabres, do mais alto dos edifícios
se do teu rosto, o vermelho
fosse um nariz de palhaço
eu morreria de cócegas
fazendo rir os ossos do meu mais pesado ofício
se teus saltos fossem longe demais
voando sobre pernas-de-pau
eu apertaria até doer meu passo
pra não te perder jamais de vista
se tuas sinas fossem as de um clown
zombando dos velhos e tristes rivais
eu brincaria, na terra, de artista
e no espaço, de poeira e luz e rastro...
se do teu olho, o brilho
fosse uma cama elástica
eu saltaria de costas
sabendo dos sabres, do mais alto dos edifícios
se do teu rosto, o vermelho
fosse um nariz de palhaço
eu morreria de cócegas
fazendo rir os ossos do meu mais pesado ofício
se teus saltos fossem longe demais
voando sobre pernas-de-pau
eu apertaria até doer meu passo
pra não te perder jamais de vista
se tuas sinas fossem as de um clown
zombando dos velhos e tristes rivais
eu brincaria, na terra, de artista
e no espaço, de poeira e luz e rastro...
terça-feira, 18 de maio de 2010
dois e dois são três
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as coisas em mim, na sua maioria são graves
as coisas em mim, na sua maioria são graves
têm gravidade, são sérias e pesadas
do gênero trágico
muitas vezes épico, heróico
não é nenhuma glória, a bem pensar
ter a textura, o sentido de uma odisséia
você, de outro lado, é um beija-flor, ou borboleta
com certeza, teu nome é haicai da leveza
eu: um caracol
com certeza, teu nome é haicai da leveza
eu: um caracol
trago o passado inteiro comigo,
sempre presente, tudo ressentido em mil voltas que me pertencem
como a minha própria morada
você gosta dos gostos cítricos, do laranja e do amarelo
minha cor é verde, sou úmido, sombrio, amazônico
você gosta de klee, da limpeza em cores sólidas
eu sou caravaggio, goya
luz tecendo escuridão, negro
dois quaisquer
mas eu prefiro você
truffaut, godot, voz e violão,
rayuela e livro sobre nada
prefiro seu jogo da amarelinha
dois quaisquer
mas eu prefiro você
truffaut, godot, voz e violão,
rayuela e livro sobre nada
prefiro seu jogo da amarelinha
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