aproximado de mim distante
instante aquele de cair
calmo agora de ter sabido
alegre ver partir,
feito alegre o coração partido
[tenho estado de mentiras pra mim, dessas que crianças usam pra sobressair ao escuro, dessas que os homens buscam pra desesperar, dessas que se não acredita, dessas que dinamitam as saídas, dessas que superadas tem tantas outras por vir, dessas que tocam belezas adiante, dessas que faz a gente desdormir, dessas que faz sorrir, dessas que maltratam seus inimigos, dessas que bendizem a vida, dessas que valem a pena, dessas que nos dão abraços em troca de outros abraços, dessas que choram motivos sem motivos, assim, pra mentir-se emocionadas de coisa qualquer, dessas que se lustram delicadamente com o sabor das coisas - que amor tem gosto, gosto mesmo, por exemplo -, dessas que das perdas vão se ganhando na calda doce de tempos felizes, dessas que são simples, dessas que põem as mão sabidas no cabelo sobre a orelha e se mentem tão verdadeiramente que até sabendo-se da verdade mentida se cai verdadeiramente nos braços do engano, dessas que se apagam no tempo, dessas que se esquece porque vive-se de inesperados e que entristece porque são esperados os inesperados que não vêm, dessas que descansam domingos debaixo do sol, dessas que se escrevem repetidamente para encontrar coisa nenhuma, dessas que se gostam assim, dessas que não esperam morrer, dessas que acabei de encontrar e sei dizer que entendi o que querem mentir, sê feliz meu filho, sê feliz de mim]
sexta-feira, 30 de julho de 2010
quarta-feira, 28 de julho de 2010
mijei por sobre os mortos
mijei por sobre os mortos - um sorriso úrico
debaixo do último cimo, por cima do enésimo gole
como a cola d'água de uma chafariz assassino
fui sumindo como o balé da fumaça
na fornalha espelho dos dias adiantes, restantes, rastejantes
meu périplo é das tripas arrastadas no chão, cascavelhices
morredouro nos tecidos de sol dobrados em gavetas negras,
um soro vertigem de caminhar a nado num lago tóxico
o próximo navio é minha figueira plena pátria serrada aos prantos,
naufragada ao solo ignoto das origens, das imagens primeiras,
ao início matriz do poema... vacilo -
redemoinho púrpuro, ralo dos delírios
a mesma solidez dos garfos que seguram meus passos
a fim de a faca torneada com horas a fio degradar
a tenra carne de meu cérebro tremeluzido de animais
as feras telúricas que empossam o músculo trágico da vida
descalço segue o rodo da tristeza, da resina, da tortura
travando a ambiciosa rendição nas ervas daninhas
das minhas calçadas, no revés do meu garimpo silêncio
no distrair ruminante das saídas que inventei no corpo tangente de meus círculos
moro nas rotações de um sistema lunar, onde a luz cintila num sal metal noturno
a vida úmida trepa em hastes de abandono, todos os signos são agudos
tesouro, louco, vértice - do íngrime ao surto, do infesto ao ouro
do protesto ao sexo, do rumor ao grito, do primor ao precipício
o bruto amálgama de vozes faz ruir o rosto pálido
do teto estrondo dos ratos que sela a separação do céu,
então sou barco dos gritos de ancestrais d'outro universo,
a lança cometa dos sonhos abertos em painéis de revolução...
meu giro, meu bote, meu leite materno revida a ninharia do credo
não morro, não durmo, não páro... óleo na máquina dos vivos -
a lápide coração dos infelizes tem a pele fria,
mas a língua dos cães é um inferno matilha... e tenho as raízes bêbadas desse calor canino
debaixo do último cimo, por cima do enésimo gole
como a cola d'água de uma chafariz assassino
fui sumindo como o balé da fumaça
na fornalha espelho dos dias adiantes, restantes, rastejantes
meu périplo é das tripas arrastadas no chão, cascavelhices
morredouro nos tecidos de sol dobrados em gavetas negras,
um soro vertigem de caminhar a nado num lago tóxico
o próximo navio é minha figueira plena pátria serrada aos prantos,
naufragada ao solo ignoto das origens, das imagens primeiras,
ao início matriz do poema... vacilo -
redemoinho púrpuro, ralo dos delírios
a mesma solidez dos garfos que seguram meus passos
a fim de a faca torneada com horas a fio degradar
a tenra carne de meu cérebro tremeluzido de animais
as feras telúricas que empossam o músculo trágico da vida
descalço segue o rodo da tristeza, da resina, da tortura
travando a ambiciosa rendição nas ervas daninhas
das minhas calçadas, no revés do meu garimpo silêncio
no distrair ruminante das saídas que inventei no corpo tangente de meus círculos
moro nas rotações de um sistema lunar, onde a luz cintila num sal metal noturno
a vida úmida trepa em hastes de abandono, todos os signos são agudos
tesouro, louco, vértice - do íngrime ao surto, do infesto ao ouro
do protesto ao sexo, do rumor ao grito, do primor ao precipício
o bruto amálgama de vozes faz ruir o rosto pálido
do teto estrondo dos ratos que sela a separação do céu,
então sou barco dos gritos de ancestrais d'outro universo,
a lança cometa dos sonhos abertos em painéis de revolução...
meu giro, meu bote, meu leite materno revida a ninharia do credo
não morro, não durmo, não páro... óleo na máquina dos vivos -
a lápide coração dos infelizes tem a pele fria,
mas a língua dos cães é um inferno matilha... e tenho as raízes bêbadas desse calor canino
segunda-feira, 26 de julho de 2010
tradução do branco dos esquimós
tenho as casas de mim agora demolidas por não sei que ventos de embora.
demora dos atrasos que colchetes de solidão deixam revirados nesse redil.
senil de trapos outrora coloridos com doces feituras de parco coração.
não que se sabe mais concreto de sem desculpas pensar-se em tantas reticências.
paciência que tardes trazem luz que falta em meus porões retinas.
usina de almas que engrenam todos os enquantos que de mim se escondem sábios.
adágio segredo que toda morte morre de hora certa e apelo certeiro.
canteiro terra de desmentiras sementes maceradas pelo perigo da superfície.
artífice rupestre de amenizar monções tristes e poeira vôo de ínfimos cristais.
areais da morada que distam de mim a casa que não tenho estado desde amanhã.
anfitriã da saga criança que as letras prostíbulos emprenham de estio.
extravio dos cursos d'água que ressudam belezas por sobre a pele sede de mor-viver.
demora dos atrasos que colchetes de solidão deixam revirados nesse redil.
senil de trapos outrora coloridos com doces feituras de parco coração.
não que se sabe mais concreto de sem desculpas pensar-se em tantas reticências.
paciência que tardes trazem luz que falta em meus porões retinas.
usina de almas que engrenam todos os enquantos que de mim se escondem sábios.
adágio segredo que toda morte morre de hora certa e apelo certeiro.
canteiro terra de desmentiras sementes maceradas pelo perigo da superfície.
artífice rupestre de amenizar monções tristes e poeira vôo de ínfimos cristais.
areais da morada que distam de mim a casa que não tenho estado desde amanhã.
anfitriã da saga criança que as letras prostíbulos emprenham de estio.
extravio dos cursos d'água que ressudam belezas por sobre a pele sede de mor-viver.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
farpas de algodão
o tédio encara o mais forte amor
com tal mansidão e desdém que culmina -
arrasa suas tendas de pedra
como se fossem papéis encharcados
as mãos quentes pareciam felizes,
risos não soluçavam vazios
e o tênue pântano que agora berço descansa
não desenhava em tuas rugas
a cova larga de minhas lembranças
que minutos nos abandonam ao fim,
qual o verbo daninho que
crispa o ar deleite das noites
que diz o risco que corre o desenho das gotas
detrás de muros cerrados que me gracejam
posso ouvir rumores de festas infâncias
ou frestas em campos de guerra... não sei
são trompetes e gaitas que ouriçam dores
com tal mansidão e desdém que culmina -
arrasa suas tendas de pedra
como se fossem papéis encharcados
as mãos quentes pareciam felizes,
risos não soluçavam vazios
e o tênue pântano que agora berço descansa
não desenhava em tuas rugas
a cova larga de minhas lembranças
que minutos nos abandonam ao fim,
qual o verbo daninho que
crispa o ar deleite das noites
que diz o risco que corre o desenho das gotas
detrás de muros cerrados que me gracejam
posso ouvir rumores de festas infâncias
ou frestas em campos de guerra... não sei
são trompetes e gaitas que ouriçam dores
Assinar:
Postagens (Atom)